A queda ocorreu em curdo d’água próximo a BR474
Das rodas de viola, lá nos idos de 1929, até se tornar a mania nacional que é hoje, muitas mulheres já subiram nos palcos soltando a voz no sertanejo. Inezita Barroso, Irmãs Galvão, Roberta e Sula Miranda estão entre elas, e fizeram história nas rádios do Brasil, conseguindo destaque em um ambiente dominado quase que exclusivamente por homens.
Mas foi o nascimento do “feminejo”, já nesta década, que destacou verdadeiramente o nome das mulheres dentro do universo da música caipira. Natural de Cristianópolis, em Goiás, Marília Mendonça pode ser considerada a precursora desse movimento e a prova de que elas e o sertanejo também têm vez.
É uma carreira de tanto sucesso que a “Rainha da Sofrência” é a detentora de um recorde que até 2020 era inimaginável: o de maior plateia durante uma transmissão ao vivo no canal de YouTube em todo o mundo.
Foram 3,31 milhões de espectadores assistindo Marília cantando seus amores e desamores na plataforma – número que supera as lives de nomes conhecidos globalmente, como o grupo coreano BTS ou o tenor italiano Andrea Bocelli.
A “Patroa”, como seus fãs também a chamavam, tinha apenas 26 anos e uma carreira relativamente curta, mas meteórica. O primeiro EP foi lançado em 2015 e já no ano seguinte, ela recebia o certificado de disco de platina tripla pelas 240 mil cópias vendidas do DVD homônimo.
O single “Infiel” grudou na cabeça dos apaixonados por sertanejo (e até de quem não era adepto do ritmo) e se tornou uma das canções mais tocadas no Brasil, dando à cantora uma imensa visibilidade nacional.
A intérprete trouxe para o cenário musical uma visão diferente do que os homens da sua geração estavam acostumados a cantar com o sertanejo universitário: assuntos que giravam em torno de cachaça, mulheres e traições, colocando a mulher sempre em segundo plano ou, muitas vezes, como a grande vilã de uma infidelidade. Marília fez exatamente o contrário e mostrou que elas também têm seus desejos e espaço para serem protagonistas.
Poder feminino
O empoderamento, aliás, que nasceu ali não era visto pela “Rainha da Sofrência” como uma forma de bradar o feminismo. Marília, em mais de uma ocasião, afirmou que nunca se intitulou feminista e se as suas letras se encaixavam nesse empoderamento, era uma coincidência, nada proposital.
Sou apenas uma mulher que defende a igualdade por merecimento. Não somos melhores e nem piores que os homens. Somos capazes