O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversa nesta manhã com o presidente Lula (PT) sobre aexpulsão do embaixador brasileiro na Nicarágua, Breno Souza da Costa, prevista para acontecer nesta quinta-feira (8).
A conversa entre os dois acontece antes da reunião ministerial convocada pelo presidente. A informação foi confirmada pelo Itamaraty.
A Nicaragua é um país da América Central, que vive uma autocracia, segundo o índice V-DEM, que mede o status das democracias pelo mundo (entenda mais abaixo). A nomenclatura é dada para regiões em que há apenas um detentor do poder político.
A decisão de expulsar aconteceu, segundo a imprensa nicaraguense, em retaliação à ausência brasileira num evento, de 19 de julho, que celebrava os 45 anos da Revolução Sandinista – processo político que colocou fim a uma ditadura instaurada no país desde 1936. A comemoração ocorreu em Manágua, capital do país.
Ortega é um ex-guerrilheiro de um movimento de esquerda dos anos 1970 conhecido como sandinista. Ele também governou o país nos anos 1980, depois que seu partido, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), derrubou em 1979 o ditador Anastasio Somoza – os sandinistas governaram Nicarágua até 1990, quando foram derrotados na eleição presidencial realizada no país.
Segundo o Itamaraty, o embaixador não foi ao evento por conta do congelamento das relações diplomáticas entre os dois países, feita pelo Brasil há um ano em retaliação à prisão de padres e bispos pelo governo de Daniel Ortega.
A expulsão de um embaixador significa que a Nicarágua decidiu cortar quaisquer relações diplomáticas com o Brasil – mesmo que essas estivessem congeladas.

Governo Ortega dissolveu em 2023 ordem jesuíta na Nicarágua e confisca seus bens
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Desde 2017, a Nicarágua está sob comando de Ortega e passa por uma crise de direitos humanos, com a perseguição de oponentes políticos, a proibição de atividades religiosas católicas e o fechamento de universidades, organizações não-governamentais e veículos de imprensa.
E a crise política e humanitária no país se aprofunda desde 2018. Naquele ano, por exemplo, protestos no país – contra e a favor do governo Ortega – foram reprimidos de forma violenta, deixando mais de 300 mortos, de acordo com estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em 2022, o governo nicaraguense iniciou uma ofensiva contra a Igreja Católica do país, confiscando imóveis, dissolvendo ordens jesuítas e prendendo padres e bispos que denunciavam a guinada autoritária do esquerdista.
O Brasil então passou a atuar como mediador entre o Vaticano e Manágua e pediu que o governo nicaraguense que soltasse bispos presos no país. Na semana passada, a embaixada do Brasil na Nicarágua recebeu uma queixa formal do governo Ortega sobre essa posição.
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Breno Souza da Costa, embaixador brasileiro na Nicarágua. — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
G1